Os sete pilares

T.E. Lawrence tornou-se um mito, com a aparência de monstro sagrado. Duas versões, com traduções diferentes, lançadas praticamente em simultâneo de "Os Sete Pilares da Sabedoria", têm sido objeto de vários artigos na imprensa. A minha avidez natural levou-me a ler tudo, e o meu cinismo, naturalíssimo também, a considerar que é mais que uma insensatez escrutinar desta forma o autor de algo tão magistralmente escrito. 

Como diria Alberto Manguel, não temos de gostar dos pais das personagens por quem nos apaixonamos. Mas e no caso de um relato pessoal, vemos justificada a pretensão de querer saber, de efabular sobre a vida do autor, de escrutinar até onde a obra é biográfica e que parte é ficção? Se Lawrewnce era ou não homossexual e-me absolutamente irrelevante. Na verdade o burburinho só me remeteu para O Folhas Caídas de Almeida Garret, lido e falado profusamente à conta da identidade oculta do Ignoto Deo. 

Custa-me assumir que pesquiso os autores de quem gosto, e de que me é muito fácil alinhar com transgressores, que tenho um fascínio por suicidas,  pelos que passaram por cá falhando a vida. Pelo Garret que ousou assumir publicamente uma paixão incontida e tóxica, pelo Lawrence por assumir ter  na sua obra sido estuprado, e pelo que dele se diz, que tinha uma sexualidade ambígua, que era masoquista, torturado. 

Editado pela primeira vez em 1922, pode ser tido como um diário, um brilhante livro de estratégia, ou uma obra magistral. Vale cada uma das suas inúmeras páginas. 



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