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Conta-mo outra vez

Conta-mo outra vez: é tão bonito
que não me canso nunca de escutá-lo.
Repete-me outra vez que o casal
do conto foi feliz até à morte,
que ela não lhe foi infiel, que a ele nem sequer
lhe ocorreu enganá-la. E não te esqueças
de que, apesar do tempo e dos problemas,
continuavam beijando-se cada noite.
Conta-mo mil vezes, por favor:
é a história mais bela que conheço.

Amalia Bautista

duas gotas de suor


I
Há alguém no mundo, só não sei onde,
ou até sei, mas é melhor esquecer,
que me despe apenas com o olhar
e me sonha vestida de princesa.
Alguém com quem não posso resistir
a arder sob o duche.
Alguém com quem se torna inevitável
eu suar num iglu.


II
Choro quando não estás, suo contigo.
O suor e o pranto são iguais,
tenazes e salgados
tal o mar dos meus sonhos e o oceano
inabarcável dos meus pesadelos.
Não peço muito, mas gostava de
suar um pouco mais e chorar menos.



Amalia Bautista, estou ausente, averno 2013