Amar

Amar foi durante muito tempo gravar iniciais adolescentes, no fuste das tílias. Era então uma espécie de idade de ouro do amor. Mas tive de aprender à minha custa que amar pode ser tão envolvente como um polvo: ama-se em muitas frentes. Aprendi que amar, entre outras coisas, é também navegar as águas da noite adultamente sem bússola e sem cautelas, à proa fugidia dum batel. E que, em casos mais desesperados, é ir aos trambolhões de mar em mar. Tumultuosamente. Sem ser correspondido. E em chamas, se preciso for. A. M. Pires Cabral
a noite em que a noite ardeu
cotovia
2015

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