"Gertrude Stein é uma artista moderna que não segue exatamente o caminho inaugurado por Poe. Ela teoriza, é verdade, em textos e entrevistas. Mas, principalmente, incorpora ou tenta incorporar a des-ilusão da arte moderna à própria linguagem. Fazer isso na pintura tem um caminho evidente (ao menos depois de feito…): desfazer o ilusionismo tridimensional da perspectiva imposto à bidimensionalidade da tela, e em seguida desfazer o próprio figurativismo. Abstracionismo via cubismo. O problema que se coloca para a linguagem verbal é, porém, diferente. E maior.
Três vidas equivalem, na obra de Stein, aos Dublinenses de Joyce, sua verdadeira obra inaugural (1909). Mas enquanto Joyce parte de Ibsen, Stein parte de Flaubert, aquele dos Três contos. O que importa aqui não é, porém, o fato de se tratar igualmente de três narrativas curtas, ou de as narrativas de Stein tomarem claramente como modelo um dos contos de Flaubert, Félicité, ou seja, a descrição da vida e da pessoa de uma criada. O que importa é a aguda percepção lingüística de Stein sobre as questões construtivas da prosa. É surpreendente, dada a anemia conceitual dos autores contemporâneos sobre sua própria arte (e talvez apenas neste sentido eles sejam, de fato, pós-modernos…), ler uma escritora discutindo as respectivas naturezas, as necessárias relações e os possíveis usos da frase vis à vis o parágrafo."
Daqui, para ler apaixonadamente: https://sibila.com.br/critica/gertrude-stein-um-fracasso-moderno/3788
E, já agora, isto: https://www.jm-madeira.pt/palcos/ver/16092/Autobiografia_de_Alice_B_Toklas_de_Gertrude_Stein_pela_primeira_vez_em_Portugal

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