Carta à descendência






























Cansa viver neste tempo e nesta terra, onde tenho de reafirmar continuamente o direito à liberdade, em que tenho de mostrar, insistentemente, que não importa como é o corpo de quem me abraça ao chegar a casa.

No meu coração parece, felizmente,  existir agora mais carinho, mais empatia e sororidade. Por isso há que espalhar como sementes, e rezar, aos deus que mantêm o mundo, que nem só de ervas se faça este quintal.

Para que vocês, quando crescerem, possam sair à rua de mãos dadas, grafitar paredes com poemas de amor, e abraçar sem medo, quem escolheram para vos acompanhar. 

Machado Pereira



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