Balada de Gisberta

Perdi-me do nome,
Hoje podes chamar-me de tua,
Dancei em palácios,
Hoje danço na rua.
Vesti-me de sonhos,
Hoje visto as bermas da estrada,
De que serve voltar
Quando se volta para o nada.

Eu não sei se um Anjo me chama,
Eu não sei dos mil homens na cama
E o céu não pode esperar.
Eu não sei se a noite me leva,
Eu não ouço o meu grito na treva,
O fim quer me buscar.

Sambei na avenida,
No escuro fui porta-estandarte,
Apagaram-se as luzes, 
É o futuro que parte.
Escrevi o desejo, 
Corações que já esqueci, 
Com sedas matei 
E com ferros morri.

Trouxe pouco, 
Levo menos, 
A distância até ao fundo é tão pequena, 
No fundo, é tão pequena, 
A queda. 
E o amor é tão longe, 
O amor é tão longe 
O amor é tão longe 
O amor é tão longe.


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