Ele sussurrou-lhe que o melhor seria
não se apaixonarem,
ela não discutiu,
para quê, se se sabia vencida.
Antes de mais, deixou-se acariciar
pelas mãos dele manchadas de ternura.
Isso sim,
não se apaixonou pelas mãos.
Depois não impediu que seus lábios
muito lentos a queimassem,
mas teve cuidado,
não se enamorou dos lábios,
e mesmo que tão pouco se opusesse
a que sua língua a ferisse sem remédio,
não se enamorou da língua,
nem de seus olhos, nem da voz,
nem da palidez que à cara lhe subia
entre os beijos,
essa palidez que a ela mais e mais a arranhava.
Mas teve cuidado e não se apaixonou,
para quê, se se sabia vencida.
Uma e mais vezes se encontraram.
Sem amor.
Isso sim,
felizes como crianças.
Ángeles Mora
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