Pandemia


Quero sentir o sabor dos teus vírus, devem continuar dulcíssimos
e eu aqui, 
desacompanhada, a desejar estar lá fora
a olhar as árvores, aparvalhada;
E a segurar-te a mão, inconsequente,
sem medo dos vírus que nos hão-de atacar
eventualmente;
Porque seria melhor que fosses tu
a tirar-me o ar
depois de me ler um poema de amor.

Machado Pereira

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