Para trás ficaram os escombros:
chamuscados pedaços da tua casa,
verões incendiados, sangue seco
sobre o qual se encarniça - último abutre -
o vento.
Tu viajas para diante até
ao tempo bem chamado de porvir.
Porque nenhuma terra
possuis,
porque nenhuma pátria
é ou jamais será a tua,
porque em nenhum país
pode ancorar o teu coração desabitado.
Nunca - e é tão óbvio -
poderás abrir uma cancela
e dizer, simplesmente: «bom dia,
mãe».
Ainda que o dia efectivamente seja bom,
haja trigo nas eiras
e as árvores
estendam até ti os seus esgotados
ramos, oferecendo-te
frutos ou sombra para descansares.
Ángel González
chamuscados pedaços da tua casa,
verões incendiados, sangue seco
sobre o qual se encarniça - último abutre -
o vento.
Tu viajas para diante até
ao tempo bem chamado de porvir.
Porque nenhuma terra
possuis,
porque nenhuma pátria
é ou jamais será a tua,
porque em nenhum país
pode ancorar o teu coração desabitado.
Nunca - e é tão óbvio -
poderás abrir uma cancela
e dizer, simplesmente: «bom dia,
mãe».
Ainda que o dia efectivamente seja bom,
haja trigo nas eiras
e as árvores
estendam até ti os seus esgotados
ramos, oferecendo-te
frutos ou sombra para descansares.
Ángel González
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