Tudo se torna mais claro quando escrevo. Como se quando apenas sentidas não fossem inteiramente reais, quando escritas ganham clareza e lucidez. O problema que se me põe é que actualmente deu-me para acentuar a dor. Uma dor pequenina fica uma mágoa grande, um desentendimento uma desilusão.
Para adoçar a existência, falemos de amor, que parece-me ser a única coisa que dá sentido a tudo.

                                                                             

Um simples olhar teu facilmente me desabrocha
Embora me feche como os dedos da mão.

Tu abres sempre pétala por pétala o meu ser
Como a primavera quando toca cuidadosa e misteriosamente
a sua primeira rosa.

Eu não sei o que existe em ti
que me libera e prende.

Somente uma coisa em mim compreende,
que a linguagem dos teus olhos é mais
profunda que todas as rosas.

Ninguém, nem mesmo a chuva.
Tem mãos tão pequeninas.



E. E. Cummings

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